terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Recomecemos... II

Chego à conclusão de que não tenho grande jeito para diários. Quando inaugurei este espaço a ideia era relatar aqui alguns raciocínios e sensações que me vão ocorrendo durante as saídas de bicicleta. Mas não tem sido fácil. Aquilo que são pensamentos fluidos durante a pedalada torna-se depois difícil de expressar através do teclado. A conjuntura também não tem sido fácil. O mau tempo, as constipações e a gripe têm arrumado com qualquer coisa que algum dia tenha possuído de semelhante a boa forma física para pedalar. Quando digo que não gosto do inverno fico sempre com a sensação de que as pessoas não atribuem às minhas palavras a mesma importância que lhes quero dar. Não se trata de achar simplesmente o inverno aborrecido, estou mesmo profundamente convencido de que o meu organismo não se adapta a estas condições. Acho que devia migrar, como as andorinhas, para climas mais quentes e secos ou então hibernar, como os ursos.

Aparentemente recuperado das maleitas, no Sábado de manhã lá regressei às pedaladas. Era provável que pelo menos o Tico aparecesse à "sede" mas a mim não me apetecia sofrer. Não desta vez, pelo menos. Sentia-me pesado e fraco e já sabia que, ao contrário do que acontece com outros, de mim ninguém iria ter piedade se me visse empenado. Assim fui sozinho fazer aquilo que apelido de "uma volta dos tristes", um daqueles percursos por estradas planas e monótonas lá para as bandas da Póvoa. Plano mas que, ainda assim, bem me custou. Teve a virtude de me levantar o moral. Podia ser que fosse o início da retoma às pedaladas regulares.

A meteorologia continua a despejar notícias de mau tempo e alertas vermelhos. Um abrandamento dessas condições lá me deu coragem para sair ontem à noite. A noite estava fria e os pingos de chuva desmotivavam mas a vontade de pedalar era muita. Felizmente não foi chuva que desse para encharcar mas, como o forro das SealSkinz há muito que perdeu as suas propriedades impermeabilizantes, quando cheguei a casa julguei que teria de amputar os dedos dos pés, de gelados que estavam.

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